O MPL-Curitiba não mais faz parte da “ARTICULAÇÃO NACIONAL” do MPL!

ESPANTO MULHERESIsso já acontece de maneira prática há alguns meses, quando, ao negar subserviência a imposições de algumas pessoas que compõem esta articulação, seus delegados locais, que só se posicionavam mediante consenso coletivo, foram excluídos unilateralmente. A função inicial do diálogo era organizar um encontro nacional, proposto inicialmente pelo coletivo de Curitiba.

Localmente, nada mudou para o MPL-Curitiba. A verdade é que, nestes anos de militância, nenhuma colaboração veio desta articulação nacional, seja em situações onde ficamos expostos ao ataque das forças do estado, seja quando fomos atacados por grupos de extrema direita, seja quando propusemos ações conjuntas em nível nacional.

No entanto, quando um de nossos militantes foi acusado de agressão contra uma mulher, que o mesmo afirmou não ter cometido e pediu um prazo para exercer seu direito ao contraditório, então sim, a Articulação Nacional foi rápida em se articular para bater seu malhete, ainda que sem consenso, sem provas, sem direito de defesa e garantia de sigilo ás informações que o acusado teria para comprovar sua inocência, sem a imparcialidade necessária para julgar e ainda sem prestar resposta ás contestações de outrxs militantes do MPL-Curitiba, ignorando-xs.

Num rápido balanço, o que podemos perceber é que a chamada “articulação nacional” acabou servindo-se muito mais para criar uma “instância superior” do que para promover um crescimento por trocas e sinergias na causa político-econômica da gratuidade no transporte coletivo. A suspeita se confirma especialmente com certas pessoas do MPL-SP, que dão veredito de um julgamento sumário e até pueril quando caluniam irresponsavelmente pessoas de Curitiba que sequer conhecem.

Acreditamos que, para que este “MPL nacional” desenvolva uma proposta honesta a novos militantes, deve haver uma urgente reforma em sua carta de princípios, excluindo por completo qualquer referência ao termo HORIZONTALIDADE e expondo de maneira clara suas HIERARQUIAS.

De fato, o que vivenciamos deixou bem claro que, acima de qualquer proposta política, vale o fratricídio e a perseguição político-pessoal por meios escusos, sem qualquer responsabilidade de atos. Para fazer valer suas determinações, alguns elementos desta instância impõem de forma autoritária e unilateral suas opiniões e, não somente isso, exige o alinhamento de militantes que possuem outras visões (de outros coletivos, inclusive), aplicando aos insubmissos um código penal tão apócrifo quanto duvidoso, tal como feito com o MPL Guarapuava, que ao se posicionar de forma independente e diversa da condenatória são publicamente chamados de mentirosos por estes mesmos elementos.

O mais curioso no incidente que vivenciamos é que o mesmo não possui absolutamente nada a ver com questões de mobilidade urbana, mercantilização do direito de ir e vir ou visões distintas de uma organização do transporte dentro das cidades. Diferenças de visão relacionadas ao transporte inclusive já acontecem dentro do MPL-Curitiba, mas jamais foram motivo para abalar uma proposta maior do coletivo de sua militância, qual seja a luta pelo transporte como meio de emancipar a(o) trabalhador(a) através de seu próprio protagonismo.

O fato é que esse debate deve ser motivo de piada para nossos adversários, que devem se deliciar com nossa fragilidade pequeno burguesa. Paciência, a determinação e o objetivo foram menores que o orgulho e só o tempo dirá se somos capazes de sobreviver a isso.

Como nada muda, a designação do coletivo MPL-Curitiba deve permanecer a mesma neste momento, até para estabelecer claramente a diferenciação de outros coletivos MPL´s, cuja autonomia sempre respeitamos independente da nova realidade. Nossa proposta independe de nome ou sigla, já que para nós ela serve-se apenas como um meio para preservarmos a descentralização pessoal do movimento, contrariamente àqueles que enxergam no MPL um fim em si mesmo, com objetivos pessoais e anti-pessoais muito acima das propostas políticas ou coletivas.

Reforçamos que não perdemos nada com o desligamento da chamada articulação nacional. Continuamos abertos a TROCAS PONTUAIS com outros coletivos, inclusive MPL´s de outros locais (inclusive SP), desde que o interesse seja mútuo. Estaremos sempre dispostos a levar nossa experiência relacionada às especificidades de uma cidade eurocêntrica, que é considerada o maior reduto da extrema direita no país. Cidade onde o transporte coletivo é considerado “modelo mundial”, a despeito de nossas denúncias da licitação fraudulenta, dos acidentes e fatalidades associados a uma precariedade encoberta por um espetacular jogo de marketing internacional. Da mesma forma, nestas TROCAS PONTUAIS acreditamos ter obtido muito mais ganho com a experiência AUTÔNOMA de outros coletivos que na chamada articulação nacional.

Nossa colaboração sempre foi além do institucionalismo do “MPL nacional”: sempre valorizamos o localismo, desenvolvendo nossas ações também junto a organizações estudantis, sindicatos, comitês populares e outras organizações institucionalizadas, mas sem perder de vista a importância das comunidades e pessoas que possuem disposição para uma luta que ultrapasse estes institucionalismos.

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10 respostas para O MPL-Curitiba não mais faz parte da “ARTICULAÇÃO NACIONAL” do MPL!

  1. Compas, infelizmente essa rixa/incidente/desavença/qlqr outro nome atrapalhou e muito a comunicação nacional com os coletivos que estão em luta, espero que daqui pra frente isso seja superado e que possamos tocar a pauta do transporte público/direito à cidade (ou qualquer outra que acharmos viavel) de forma horizontal, mas com comunicação.
    Saudações e Força na LUTA

    José Paulo Bernardes – Militante do MPL-GV (ES)

  2. Luacaos disse:

    “Os cães ladram e a caravana não pára”! Avante, MPL Curitiba!!! o/

  3. Mayara disse:

    A não conformidade da articulação nacional com a carta de princípios, leva-nos a entender que “o MPL pode ser apartidário, mas diante dos últimos eventos, percebemos que se tornou um partido em si, com resoluções de legenda impostas aos demais.” É uma situação difícil de se lidar, ainda mais sabendo que existem muitxs militantes, de diferentes localidades, bem intencionadxs, dispostxs a levantar o debate sobre mobilidade urbana. Em todo caso, aos que continuam na articulação nacional, boa sorte. Como dito anteriormente, não cessaremos nossas atividades.

  4. Livia disse:

    Ok … mas no que deu o caso do militante que supostamente agrediu a (ex) companheira? Era mentira?

    • mplcuritiba disse:

      Olá, Livia:
      Exceto pelo militante em questão, nós, do MPL-CURITIBA, sabemos tanto quanto você sobre a alegação de espancamento (estamos supondo que você realmente se inteirou a respeito). De qualquer forma, para assumirmos nossa posição, tivemos a responsabilidade de constatar os contraditórios. Grupos e pessoas anti MPL-CURITIBA, que já possuiam divergências PESSOAIS com o acusado se aproveitaram para difamar o movimento através de informações parciais, manipulando inclusive pessoas do movimento feminista, chegando a sugerir que houve inclusive tentativa de homicídio por parte do acusado. Muitos sequer leram o conteúdo do BO assinado pela reclamante (que diz que não houve marcas da agressão). Já outros que leram dizem que isso não importa, pois conhecem o acusado de “outros carnavais”, comprovando que o caso em si pouco importa pois a idéia central é a perseguição e condenação pessoal. Feministas honestas estão embarcando numa manipulação que ainda vai gerar prejuízos para a causa feminista, a qual sempre apoiamos, desde que LIGADA A UMA PROPOSTA COLETIVA QUE VÁ ALÉM DA LIBERAÇÃO SEXUAL, sem elitismos e realmente alinhada com a BASE, ou seja, à situação DA MULHER POBRE.

  5. Juliana disse:

    Esclarecedor… Mas não em todos os aspectos, e sobre a rede ter alegado que vocês postaram uma carta ” posicionamento marcha das vadias-carta”, com conteúdo de mentiras? Houve realmente tais mentiras? O processo continua rolando ou já foi dado um ponto final na “suposta” agressão? O MPL Curitiba e as pessoas envolvidas realmente se prejudicaram com coisas ditas por pessoas de fora do caso?

    • mplcuritiba disse:

      Sem dúvida Juliana, há muito a esclarecer em outros aspectos. Infelizmente, não temos a estrutura e o preparo necessário para os demais esclarecimentos, razão pela qual os litigantes recorreram ao judiciário. Infelizmente, os movimentos sociais não têm ainda um preparo adequado para desenvolver um processo de mediação/ conciliação horizontal. Sim, há outras pessoas prejudicadas, mas talvez o prejuízo maior foi com a luta popular.

  6. Sandra Aguiar disse:

    Análise imparcial – esta é a atitude mais correta, até que os fatos se esclareçam e possam ser publicizados. Neste momento é preciso frear as emoções, ter serenidade e aguardar o que virá, até porque estas manifestações individuais prejudicam, profundamente, a agenda política do MPL e de outros movimentos. Inteirar-se dos acontecimentos com maturidade e aguardar as decisões jurídicas é, ainda, o melhor caminho.

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